Pressão alta na gravidez provoca afrontamentos mais fortes na menopausa

Um novo estudo norte-americano aponta que mulheres que sofrem de hipertensão durante a gravidez apresentam uma predisposição mais elevada de vivenciar sintomas extremamente incómodos aquando da menopausa, nomeadamente ondas de calor e suores noturnos, comummente denominados de afrontamentos.


“Já sabíamos que mulheres com hipertensão durante a gravidez ou aquelas que sentem sintomas de menopausa, como ondas de calor e suores noturnos, têm uma maior propensão de desenvolver doenças cardíacas. A nossa pesquisa descobriu que mulheres que tiveram pressão arterial alta durante a gravidez estavam muito mais propensas a experienciarem sintomas incómodos de menopausa, incluindo ondas de calor e suores noturnos”, afirma a líder do estudo Stephanie Faubion. Médica e diretora do Centro de Saúde da Mulher na prestigiada Mayo Clinic, nos Estados Unidos, num artigo divulgado na publicação Menopause: The Journal of the North American Menopause Society, e partilhado pelo portal Newswise.

Para efeitos daquela pesquisa, os investigadores estudaram os dados médicos de 2684 mulheres entre os 40 a 65 anos, que haviam sido atendidas em consultas com especialistas de menopausa e saúde sexual na Mayo Clinic, de maio de 2015 a setembro de 2019.

As voluntárias preencheram um questionário, no qual descreveram os seus sintomas de menopausa e o impacto dos mesmos na sua qualidade de vida. Adicionalmente, as completaram um questionário que inquiria se haviam sofrido de hipertensão na gestação, ou de distúrbios como pré-eclâmpsia ou hipertensão gestacional.                                                                                                      

No decorrer do estudo, os cientistas detetaram uma relação notória entre mulheres com histórico de problemas de hipertensão durante a gravidez que relataram sofrer de sintomas de menopausa mais desagradáveis. Mais ainda, mulheres com esse histórico que se submeteram a terapia hormonal reportaram igualmente sintomas de desconforto mais significativos de menopausa, comparativamente a mulheres sem registo de pressão alta durante a gestação.

“Sabemos que os médicos historicamente têm feito um trabalho mau em identificar e acompanhar mulheres com distúrbios de hipertensão durante a gravidez, apesar de saberem que estas têm um risco mais elevado de doença cardíaca”, conta Faubion.

“Este estudo é mais um lembrete de que essas mulheres são diferentes. É importante que sejam devidamente informadas sobre aquilo que podem experienciar durante a menopausa, mas também que passem por exames de rotina e aconselhamento sobre como reduzir o risco de doença cardíaca”, conclui a médica. 


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