Obesidade infantil: como a combater ?

A obesidade infantil é um problema que afeta cada vez mais crianças e jovens em Portugal. Fique já a saber, como a combater.


Obesidade infantil

A obesidade infantil é um problema que afeta cada vez mais crianças e jovens em Portugal, comprometendo a saúde atual e futura. Um recente estudo do Instituo de Saúde Pública da Universidade do Porto permitiu concluir que aos 4 anos, 22% das crianças portuguesas têm excesso de peso, valor que atinge os 26% aos 10 anos.

Em termos de obesidade, o estudo avança que aos 4 anos 10% das crianças já são obesas. Uma percentagem que sobe para os 15% aos 7 anos e se fixa nos 17% aos 10 anos. Apesar destes valores, Portugal parece estar no bom caminho, com a OMS (Organização Mundial de Saúde) a assinalar a diminuição da taxa de crianças com excesso de peso ao longo dos últimos dez anos. Diminuiu de 37,9% para 29,6%, enquanto na obesidade infantil o número passou de 15,3% para 12%.

Ainda que positivos, estes últimos números assinalam a necessidade de medidas urgentes, não só a nível governamental, como dentro do agregado familiar da criança. Cabe, muito especialmente, aos pais e encarregados de educação o papel de impor e educar para hábitos de vida mais saudáveis. Isto passa por uma alimentação mais equilibrada e pela prática de atividade física sob pena das crianças desenvolverem problemas de saúde graves, como doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, asma, apneia do sono, doenças hepáticas e diferentes tipos de cancro.

Causas da obesidade infantil

Uma criança é considerada obesa quando o seu peso ultrapassa em 15% o peso médio correspondente à sua idade. Tal como nos adultos, os fatores que dão origem à obesidade infantil são uma conjugação de causas comportamentais, biológicas e psicológicas.

Uma alimentação rica em gorduras e açúcar, distúrbios hormonais, doenças genéticas, padrões comportamentais e o sedentarismo são as principais causas da obesidade infantil.

Segundo a APCOI (Associação Portuguesa de Combate à Obesidade Infantil), mais de 90% das crianças portuguesas consomem fast food, doces e refrigerantes pelo menos quatro vezes por semana. Sendo que menos de 1% bebe água todos os dias e só 2% ingere fruta fresca diariamente.

De igual modo, um estilo de vida em que a prática de atividade física deu lugar a horas infinitas em frente ao computador ou à televisão e a irregularidade nos hábitos de sono (crianças com horários de sono irregulares e relógios biológicos indefinidos têm mais tendência para ganhar peso), dão corpo à prevalência da obesidade infantil na população portuguesa.

Como combater a obesidade infantil?

Combater a obesidade infantil começa na gravidez. O risco de uma criança vir a ser obesa ou a desenvolver excesso de peso começa ainda durante a gravidez. Este é maior nos casos em que a mãe é obesa ou faz uma má alimentação durante a gestação, com muitos açúcares, gorduras e alimentos processados.

A grávida deve ter uma alimentação saudável, evitar o tabaco e praticar exercício físico. Depois do nascimento, a criança deve ser amamentada com leite materno até aos 6 meses de idade.

Durante os dois primeiros anos de vida, altura em que se formam os hábitos alimentares da criança, os pais devem incentivar o consumo de frutas, legumes e carnes magras e evitar dar doces e alimentos ricos em gorduras.

É conhecida a aversão das crianças a alimentos como brócolos ou alface. Para que isso não aconteça, os pais devem dar o exemplo e consumir este tipo de alimentos à frente dos seus filhos, antes de lhes pedir para o fazerem igualmente.

Uma boa estratégia para que as crianças comam um pouco de tudo passa por incluir um alimento novo por semana na sua dieta alimentar. Deste modo, existe a oportunidade para se acomodar ao sabor e textura de cada alimento.

Esta estratégia deve vir acompanhada por um abastecimento saudável da despensa e do frigorífico, mas nunca com proibições draconianas. Os pais e encarregados de educação devem privilegiar uma informação que demonstre como uma boa gestão do peso resulta de escolhas alimentares adequadas e da prática de atividade física. Evidenciando a forma positiva como estas escolhas se refletem na auto-imagem e auto-estima da criança.

Alimentação:

Evitar passar mais de 3 horas sem comer, beber 1 litro de água por dia, comer 5 doses diárias de fruta e legumes, servir as refeições principais em pratos pequenos, bem como não comer em frente da televisão, do computador ou da consola.

Se a primeira refeição do dia incluir alimentos dos sete grupos da roda alimentar, a criança fica com um quarto das suas necessidades alimentares supridas. Tomar o pequeno-almoço é uma garantia de melhor capacidade de concentração, aprendizagem e comportamento.

Decrete um dia para ingestão de guloseimas e fast food, mas com moderação. Caso a criança coma muito depressa e mastigue mal os alimentos, incentive-a a comer com talheres de sobremesa e a contar até 25 enquanto mastiga.

Há ainda o caso dos lanches, escolares e caseiros. Estes devem incluir um iogurte líquido, uma maçã ou metade de um pão escuro com queijo flamengo.

Exercício físico:

A prática de exercício físico deve ser incutida desde tenra idade. Esta não só ajuda a combater o excesso de peso e fortalecer ossos e músculos, como aumenta a auto-estima e melhora o desempenho escolar.

A forma de incentivar a criança a fazer exercício é deixá-la escolher o desporto que mais lhe agrade, assim passa a praticá-lo de forma regular. Combater o sedentarismo não se fica pelo desporto.

As crianças podem acompanhar os pais em caminhadas (não muito extenuantes) ou passeios de bicicleta e ajudar na realização de tarefas domésticas. Isto ajudá-las-á a queimar umas calorias adicionais.


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