O cancro digestivo está a matar. A importância do diagnóstico precoce

No dia Nacional do Cancro Digestivo, assinalado hoje dia 30 de setembro, a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) e a Europacolon Portugal – Associação de Apoio ao Doente com Cancro Digestivo, alertam para o perigo no diagnóstico tardio e tratamento destes tumores em Portugal, provocado sobretudo pela pandemia da Covid-19.


Rui Tato Marinho, presidente da SPG, reitera a necessidade de “uma atitude preventiva dos cidadãos”, salientando que “a deteção precoce destas patologias é essencial. O médico gastrenterologista tem um papel fundamental no diagnóstico precoce e tratamento do cancro digestivo com a realização de exames, como a colonoscopia”.

“Apesar dos tempos difíceis que vivemos, o cancro digestivo não pode ser esquecido. As pessoas podem confiar nas instituições de saúde que estão preparadas para recebê-las, de forma segura. Devemos reunir esforços com uma estratégia conjunta e determinada”, acrescenta. 

Os especialistas apontam que desde março foi identificada uma diminuição significativa do número de exames de rastreio e diagnóstico no nosso país. E como tal, tanto SPG como a Europacolon Portugal apelam para uma atitude consciente da população, na realização de rastreios e exames necessários. Assim como a formulação de um plano conjunto das entidades de saúde de forma a retomar e continuar ativamente com a prevenção destas doenças, tantas vezes fatais. 

O cancro digestivo inclui vários tumores malignos que podem alcançar cinco órgãos, nomeadamente o esófago, estômago, pâncreas, fígado, cólon e reto. Cancros estes que se manifestam através do aparecimento de quase 1500 novos casos por mês, representando um terço de todos os cancros dos portugueses.

Relativamente ao cancro do cólon e reto, o mais comum do aparelho digestivo, o rastreio deve ser realizado por colonoscopia.

Estima-se que até um terço dos novos casos de cancro diagnosticados, anualmente, possam ser evitados e outro terço curados, quando identificados prematuramente.

Vitor Neves, Presidente da Europacolon Portugal – Associação de Apoio ao Doente com o Cancro Digestivo, diz “é urgente a retoma do acompanhamento dos doentes não Covid-19, a  abertura dos centros de saúde onde, após a análise de sintomas, se referenciam os doentes para as consultas de especialidade e também a implementação imediata do rastreio de base populacional do cancro do intestino no nosso país”.

O rastreio deve começar aos 50 anos. Sendo que por ano cerca de 10 mil portugueses são diagnosticados com este cancro.

No dia Nacional do Cancro Digestivo as duas entidades relembram que a manutenção de um estilo de vida saudável contribui para a prevenção do cancro digestivo, com hábitos que incluem: a prática de exercício físico, alimentação saudável, manutenção de peso adequado e evitar excesso de consumo de álcool e não fumar.


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