Doença arterial periférica: Sintomas da 1.ª causa de morte em Portugal

"A doença arterial periférica (DAP) é uma das manifestações mais frequentes de uma patologia vascular bem conhecida, a doença arteriosclerótica. Esta doença e as suas manifestações, constituem atualmente a principal causa de morte em Portugal, à frente das doenças oncológicas (mais de 300/1000 mortes)", explica a médica Helena Gomes, Especialista de Angiologia e Cirurgia Vascular no Hospital CUF Descobertas, em Lisboa, num artigo de opinião.


É uma doença crónica. Caracteriza-se por uma obstrução progressiva das artérias, condicionando diminuição do aporte de sangue aos orgãos (isquémia) e pode afectar em simultâneo diferentes territórios vasculares. Os territórios mais frequentemente afectados são: as artérias dos membros inferiores (DAP), as artérias coronárias e as artérias cerebrais.

Quais os sintomas?

O sintoma mais frequente da DAP é a claudicação da marcha, a qual consiste numa dificuldade em percorrer determinada distância, devido ao aparecimento de dor intensa nos músculos da coxa ou perna, que obriga o doente a parar, só assim conseguindo aliviar a dor. Com o agravamento da doença a distância percorrida sem dor é cada vez menor, até se tornar incapacitante para as actividades da vida diária.

Nos casos mais graves da DAP, denominados de isquémia crítica, o doente tem dor em repouso ou aparecimento de úlceras ou mesmo gangrena na extremidade. Estes são sintomas graves, que necessitam avaliação e tratamento urgentes, muitas vezes cirúrgico, para evitar a perda do membro por necessidade de amputação.

A DAP é portanto uma patologia potencialmente grave e os seus sintomas devem ser reconhecidos e investigados o mais cedo possível, quer em consultas de Medicina Geral e Familiar numa primeira abordagem, quer da especialidade de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Como é feito o diagnóstico?

O exame complementar diagnóstico de primeira linha no estudo da DAP é o EcoDoppler arterial dos membros inferiores, um exame não invasivo que permite avaliar a existência e a gravidade da doença, correlacionando os achados com os sintomas que o doente apresenta. Nos casos duvidosos ou candidatos a tratamento cirúrgico convencional (bypass) ou por técnicas endovasculares (menos invasivas), o especialista poderá ter de recorrer a outros exames de imagem mais esclarecedores, como por exemplo o AngioTC.

Notícias ao MinutoHelena Gomes© DR

O diagnóstico e tratamento atempado são fundamentais?

Existe uma evidência científica que um doente com DAP tem um risco muito significativo de eventos cardiovasculares e de mortalidade.

O diagnóstico correcto e o tratamento atempado desta doença, seja ele médico ou cirúrgico, é pois muito importante, pois permite:

– identificar e corrigir os factores de risco da doença, nomeadamente, o tabagismo, a hipertensão arterial, a diabetes e a dislipidémia (excesso de gorduras no sangue).

– pesquisar, através de exames de diagnóstico pouco invasivos (EcoDoppler carotídeo, ecocardiograma, cateterismo cardíaco), se existe doença noutros sectores arteriais e tratá-la se necessário, recorrendo nomeadamente ao cuidado de outras especialidades como a Cardiologia.

– atrasar a evolução da doença e consequentemente reduzir as suas complicações, melhorando a qualidade de vida e a sobrevida dos doentes.

Consideramos portanto que, sobretudo no contexto da actual pandemia, os doentes com DAP não devem descurar nem desvalorizar os seus sintomas, sobretudo nas fases menos graves da doença e devem recorrer em tempo útil e sem receios ao seu médico assistente ou especialista, nas unidades de saúde, que dispõem de todos os meios para os tratar em segurança.


Like it? Share with your friends!